Ter um trabalho entediante ou que não exige nenhum esforço intelectual é um fator que estimula o usuário a buscar novos horizontes na Internet. Neste contexto, a Rede, com sua ampla variedade de informação e aplicações que incentivam a participação, representa um desafio intelectual para o usuário, ajudando-o a obter auto-realização pessoal, atualização profissional e informações relevantes, além de facilitar a busca por um novo emprego e  oportunidades de negócio.

De fato, as aplicações centrais para este grupo de usuários são a busca de emprego, as redes sociais profissionais (Linkedin, Ecademy e Naymz são as principais) e a  pesquisa. Mais informados do que nunca, começam a questionar suas rotinas cotidianas levando em consideração as diversas opções à escolha e as oportunidades disponíveis. Há uma mudança na atitude: assumem uma postura más reflexiva sobre seu ambiente de trabalho e se sentem intelectualmente mais produtivos.

Estudantes que deixam seus países para investir em seu currículo acadêmico, investigadores, profissionais nômades. Todos têm um estilo de vida de constante mudança de contexto. Formam suas redes sociais e depois as abandonam quando continuam com sua trajetória através do mundo, confirmando sua proposta de vida e sua identidade nômade.

Estar em contato, para estes indivíduos, é um aspecto fundamental para que possam manter relacionamentos de longo prazo, seja no contexto familiar ou no contexto social. Pessoas com este perfil são colecionadores de experiências muito diversas, as quais vivenciam em lugares nos quais vivem apenas um par de anos.  A comunicação mediada pela tecnologia ocupa função primordial no processo de facilitar a troca interpessoal e grupal quando a opção presencial não é viável.

Para estas pessoas, manter contato com sua família, amigos e companheiros para que continuem sendo parte de suas vidas significa estar na Rede; é o ser online. São aplicações como Skype e MSN que viabilizam o resgate de suas experiências, além de proporcionar a sensação de proximidade e convivência.

“The wish to stay in touch with one’s globally dispersed extended family is a major impetus behind the adoption of the Internet in the home” (Bakardjieva)

A Internet oferece a este grupo, portanto, uma variedade significativa de aplicações  para que eles possam estar em contato com a família e os amigos. Além do benefício de transcender a distância geográfica, os usuários valorizam muito o aspecto relacionado ao controle do seu tempo. As pessoas, em nossa sociedade contemporânea, não estão separadas somente espacialmente mas também por suas agendas pessoais, que costumam ser conflitantes devido à demanda do cotidiano.

Seguindo com o estudo de Maria Bakardjieva, no qual a pesquisadora investiga as motivações de uso da Internet no cotidiano, chegamos a cinco tipos de situações onde a tecnologia resgata a dignidade e a autoestima de distintos grupos de pessoas, possibilitando a elas redefinir sua identidade e seu novo estilo de vida.  Já falamos sobre isolamento social, mas há um agrupamento muito específico que merece destaque: as famílias móveis.

O isolamento social é um sentimento comum também aos que deixam seus países e comunidades de origem para uma vida em um novo ambiente. Para a inserção e adaptação da família no novo contexto, a Internet desempenha um papel fundamental.

No “ciberespaço” podemos encontrar todo tipo de informações sobre o panorama social e econômico de um país, uma cidade, um bairro. É possível, inclusive, investigar o mercado de trabalho, oportunidades, setores industriais e todos os demais dados relevantes para os que estão se transferindo a outro contexto cultural. São “drops” de informações que ajudam a construir uma percepção virtual de um lugar real.

A disponibilidade de informação também ocorre no sentido contrário ao mencionado acima. Os estrangeiros conseguem estar em contato com as notícias de seu país, o idioma e os acontecimentos através de infinitas ferramentas on line. A Internet, portanto, se configura também como um meio político e cultural, proveendo a este segmento composto por expatriados e imigrantes a possibilidade de resgatar e preservar traços importants de sua identidade original,  mesmo que estejam geograficamente distantes de seu país.

“The most postmodern of technologies is contributing to the persistence of typically modern sentiments and practices like these related to nationalism as a collective identity. (…) The materials, the languages, generally, the resources on which people drew to construct identity bolth on line and offline did not appear to be as free-floating and randomly accessible as postmodern theorists may have it. (…) They remained socially and biographically rooted and as unequally distributed as ever before.” (Bakardjieva, 2005)

“The Internet has increasingly become a principal medium for community, communication, and entertainment – three areas that have collided together and are impacting each other’s growth- generation a new type of activity that we call Communitainment.”(Piper Jaffray Investment Research)

O conceito de Communitainment surge como uma tendência emergente que vai substituir parcialmente outros formatos de consumo de conteúdo, de televisão a revistas, além de outros tipos de websites.

A fusão de conceitos como Comunidade, Comunicação e Entretenimento deve sua origem aos primeiros usuários de IM (Instant Messaging), que começaram a usar cada vez mais o serviço como meio de comunicação e entretenimento, compartilhando fotos, vídeos, arquivos e links.

“We believe that a least one-half of all content consumption on th Internet over the next decade will be Communitainment.”(Piper Jaffray Investment Research)

Os  meios sociais são um segmento específico dentro do fenômeno dos novos meios. Estão intrinsecamente associados à equipotencialidade dos nós da Rede; a finalidade comunicativa de seus usuários é comunicar e compartilhar entre pares. A participação é a expressão mais destacada de sua dimensão interativa.

Além disso, representam uma transformação importante que se baseia na interação, no consumidor e no poder da comunidade. Sua principal fortaleza é que, como coletividade, pode ter tanto impacto quanto qualquer plataforma de meios tradicional. A utilização de plataformas como Twitter tem demonstrado a velocidade e a intensidade com que informações, opiniões e notícias podem ser publicadas, compartilhadas e comentadas em todos os países muito antes que os grandes meios tradicionais.

Neste contexto, a expressão individual é o valor fundamental de um meio social. A transparência e a espontaneidade são pilares de sua credibilidade. A estes valores se somam de modo importante a interatividade, a participação e o compartilhar. Juntos, constituem a plataforma conceitual que consolida os meios sociais como a mais contundente manifestação do que se define como Usite (website formado, majoritariamente, por conteúdos gerados por usuários).

Enquanto Communitainment é a tendência de configuração dos serviços on line como uma combinação entre comunicação e entretenimento, os Usites representam a plataforma ideal para os usuários exercitarem esta tendência em todas as suas dimensões. Segundo o estudo “Power to the People”, da Universal McCann, há dez  plataformas sociais chave nas quais os usuários criam, se expressam, colaboram e compartilham conteúdo, consolidando fortemente as bases da comunidade virtual e aumentando seu poder de mobilização na sociedade.

Qual é a motivação inicial para ser  um usuário de Internet? Qual o benefício concreto? E o que justifica tamanha massificação da web nos últimos anos?

No post “DNA Social” vemos que estas perguntas motivaram o estudo da pesquisadora Maria Bakardjieva sobre grupos sociais e Internet. Chegamos a cinco tipos de grupos com características similares para os quais a Internet representa uma redenifição de identidade e estilo de vida.  E pessoas que vivem situações de isolamento social é o primeiro destes grupos.

São muitas as circunstâncias pelas quais uma pessoa pode isolar-se socialmente. Em geral são involuntárias e representam uma mudança importante em seu estilo de vida  e na consequente perda de sua autoestima e legitimidade.

  • uma doença grave que tire a mobilidade do indivíduo, confinando-o aos limites de sua casa ou até mesmo de seu quarto;
  • os casamentos abusivos e disfuncionais, nos quais um dos cônjuges  mantém um controle autoritário sobre a interação social do outro, impedindo-o de sair e manter uma agenda social própria;
  • a aposentadoria ou desemprego, cujo impacto no cotidiano é significativo dada a importância do trabalho na ocupação do tempo, legitimiação social, relacionamento com pares e autoestima pessoal;
  • divórcio ou a paternidade solteira, situações que limitam o orçamento e o tempo disponível para a vida social;
  • sentimento de pertencimento a uma comunidade de interesses afins que, em geral, está geograficamente dispersa. É muito comum que estas comunidades sejam relativas a portadores de doenças raras ou a grupos de usuários que tenham passado por situações adversas.

A capacidade da Internet em conectar as pessoas possibilitando a elas construir novos relacionamentos a partir se sua situação de isolamento e, às vezes, de confinamento doméstico (físico, social ou financeiro), tem sido o benefício principal identificado pelos participantes do estudo de Bakardjieva.

Neste contexto, a Internet transcende sua funcionalidade original de busca de informações e reafirma sua vocação como meio social, o qual não somente conecta o usuário a outras pessoas, mas com pessoas que vivem experiências pessoais parecidas, lhes ajudando a incorporar novos parâmetros de comportamento.

Como consequência, a Internet tem papel fundamental na reconstrução da identidade de uma pessoa que se encontra isolada socialmente.

“… these people were not sufficiently mobile – their automobiles could not take them to places socially denied to them. (…) They felt trapped in their homes and were ready and eager, each one to a different extent and different degree of rationalization, to trade the privateness of their existence for human contact, community and broader social involvement. (…) These people defined and employed the Internet as a social technology, as a solution to the problem of loneliness, helplessness and the resulting loss of self-esteem. (…) These users found in Internet a handy and affordable means for transcending the limitations of their social-biographical situation.” (Bakardjieva, 2005)

É de conhecimento comum que a Internet surgiu para conectar. Não é à toa que nos referimos a ela como a Rede. Sua função primordial é de conexão. No entanto, até recentemente, lhe era atribuído somente o papel de conectar seus usuários a um grande volume de informações. Ou seja, a Internet como veículo de acesso a informações em todo o mundo.

Esse foi o princípio. Hoje, com a explosão das redes sociais, sabe-se que a Internet foi muito além da função inicial de informar. Mas não entendamos isto como uma mudança de caminho, ou uma “desvirtuação” de seus objetivos originais. Na verdade, quando buscamos as origens da massificação da Internet, encontramos seu verdadeiro DNA.

Em seu livro sobre a Sociedade da Internet (Internet Society – The Internet in everyday life), Maria Bakardjieva se dedica a identificar de que modo as pessoas, em geral, começam a se interessar por relacionar-se em rede e como se tornam usuários da Internet. Toma como mostra para sua pesquisa pessoas sem qualquer afinidade tecnológica prévia ou necessidades específicas pelas quais a Rede estaria intrinsecamente presente em suas vidas, com é o caso de grupos como acadêmicos, estudantes ou executivos. Seu interesse é estudar o impacto da Internet para as pessoas em geral.

O objetivo da pesquisadora é descobrir como e por que a Internet ingressa no sistema de relevância e comportamento das pessoas. Seu trabalho se pauta em revelar quais são os usos valorizados pelos usuários e como sua utilização os ajuda a recuperar o controle sobre situações específicas de suas vidas em um determinado momento de crise.

Considerando que a maioria das pessoas não possui conhecimento técnico específico quando começam sua trajetória virtual, enfrentam barreiras financeiras relativas aos custos inerentes à aquisição dos equipamentos e serviços necessários e não têm motivações externas que os influenciem a fazê-lo, quais são, de fato, os fatores mais freqüentes que os atraem para este novo meio?

O estudo conclui que há situações individuais problemáticas nas quais a Internet representa uma ajuda significativa para os envolvidos, a ponto de devolver sua qualidade de vida. Com isso, chega a cinco grupos de situações onde a tecnologia resgata a dignidade e a autoestima de distintos grupos de pessoas, possibilitando a elas redefinir sua identidade e seu novo estilo de vida:

Vale a pena conhecer cada um destes grupos e entender a dinâmica que rege o cotidiano das pessoas envolvidas. Assim se pode compreender que a Internet só agora está alcançando a plenitude de sua funcionalidade social original e que sua popularização é tão natural quanto inevitável.


A transição dos meios analógicos para os meios digitais tem importância fundamental na sociedade contemporânea. Digitalizar conteúdos pessoais, por exemplo, não é somente uma mudança no modo de armazenar lembranças, dados e informações. Quando um conteúdo é digitalizado, ele pode ser manipulado, reutilizado, distribuído e compartilhado sem esforço, além de poder ser explorado por uma diversidade cada vez maior de suportes. Como consequência, as pessoas estão criando novos modos de captar, compartilhar, recordar e viver.

“For the first time in history, technology has reached a point where everyone has a voice. This voice , articulated through social media, can be extremely powerful and can force individuals, companies and communities to change the way they behave” (Bentwood, 2007. Distributed Influence: Quantifying the Impact of Social Media)

As magnitudes dos números, o crescimento consistente e as projeções futuras chamam a atenção dos pesquisadores, das empresas e da sociedade. Mas a relevância do tema reside muito mais nas mudanças de comportamento aos quais os números apontam: a grande maioria dos usuários de Internet produzem conteúdos e está em curso uma transformação definitiva no que diz respeito à participação.

Jamais um meio de comunicação foi tão adequado para permitir a produção descentralizada de conteúdo. Com isso, o leitor, antes somente um consumidor de informação, pode exercer sua liberdade de expressão e explorar suas capacidades para se tornar um produtor de conteúdo. Sem necessidade de treinamento específico nem mesmo de conhecimento de ferramentas técnicas.

O usuário  deixa de ser um receptor dos meios e agora detém o poder da informação e a possibilidade de influenciar aos demais em uma escala antes inimaginável. Já se terminou a era da supremacia dos editores, jornalistas e escritores experts. Todos podem sair a comunicar o que querem e ainda contando com a possibilidade da interatividade dos demais usuários, o que aprofunda a experiência e democratiza a relação meio-usuário.

A comunicação, portanto, passa por uma transformação visceral. A convergência dos meios estabelece uma nova dinâmica para o consumo de conteúdo e o consumidor se transforma no protagonista onipresente deste contexto.

“The Revolution is about control. The uprising by the users is over control – control of the type of content users want, control of the place and time content is delivered, control of the advertisements that the users are willing to take, and control of the brands they want to create. Unlike mosts revolutions, where the masses revolt because of major hardship and grievances, the User revolution was largely driven by the proliferation of media options, the emergence of the Internet, and the growing sophistication of consumers. ” (Piper Jaffray Investment Research, 2007)

O modelo atual para a Comunicação é o da colaboração, da coletividade, da personalização e do compartilhamento. Os novos meios têm no usuário seu criador, consumidor e distribuidor de conteúdo, constituindo um universo de mais de 1 bilhão de geradores de informação e centenas de milhares de distribuidores.

Os meios sociais, por sua vez, são um fenômeno global que atinge todos os mercados apesar de diferenças significativas de desenvolvimento econômico, social e cultural entre os países. Hoje, a verdade é que se alguém está on line, está utilizando os meios sociais.


Fonte: Power to the People Social Media Tracker Wave 3. Universal McCann, 2008.

É possível ser global em toda a cadeia de produção e comercialização de um determinado produto? Os consumidores são globais?  Que fatores deveria considerar uma  empresa antes de decidir expandir-se para outros países? Até que ponto uma empresa deve adaptar seus produtos e seu programa de marketing para o mercado internacional?

“I don’t know the key to success, but the key to failure is trying to please everybody.” (Bill Cosby)

As perguntas são muitas quando se discute os impactos da globalização. E as respostas têm variado muito ao longo dos anos e também de acordo com a experiência dos pioneiros do movimento. A dinâmica do mercado e o avanço tecnológico têm transformado global, regional e localmente o modo de consumir marcas, produtos e serviços.

O movimento da internacionalização de marcas é inegável. A extensão geográfica é o destino necessário das marcas num mundo cada vez mais conectado. No entanto, esta tendência não significa o mesmo que globalização.

Hoje, a discussão não é mais sobre a validez da expansão, mas sim no modo como fazê-la e obter os melhores resultados. Qual é o equilíbrio que se deve manter entre os extremos: gerar uma marca global que ultrapassa fronteiras nacionais e linguísticas ou uma marca que tem o cuidado de atender às necessidades e contextos locais?

A Indústria Global

Publicado: julho 15, 2010 em Globalização
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O que é globalização? Muitas definições se espalham pelos livros, Universidades, consultorias e empresas, mas a maioria está distante de transmitir a extensão do significado de um dos mais importantes movimentos dos mercados nas últimas décadas.  São, por sua vez, somente uma introdução ao conceito que fomenta debates em vários âmbitos da sociedade.

Segundo Kotler, “uma empresa global é aquela que opera em mais de um país e que goza de vantagens nas áreas de pesquisa e desenvolvimento, produção, logística, marketing e finanças, às quais seus competidores nacionais não podem aspirar”. A definição de Kotler é simples e correta; no entanto, é incompleta pois sugere uma interpretação mais positiva que neutra e é superficial quando menciona a suposta posição desfavorável dos competidores nacionais.

Afinal, há desvantagens e desafios para as marcas globais? Competidores nacionais de menor porte podem representar ameaças às grandes marcas internacionais? O que se deve considerar ao ingressar em un mercado internacional?

Kotler define o que denomina Indústria Global. Para ele, uma indústria global é aquela cuja posição estratégica de seus competidores em grandes extensões geográficas ou em mercados nacionais se vê influenciada por sua posição internacional.

A indústria automobilística é um bom exemplo de atuação global, como no caso dos caminhões Ford. A cabine é fabricada na Europa, o chassi, na América do Norte e a montagem, no Brasil. Depois de terminado , o produto é importado pelos Estados Unidos para venda. As empresas globais ou internacionais, portanto, planejam, operam e coordenam suas atividades em nível mundial.